Isenção do IR: a partir de quando vai começar?

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A discussão sobre a isenção do IR voltou com força em 2025 e promete mudar o bolso de milhões de brasileiros.  O governo federal ampliou a faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 3.036 por mês, o equivalente a dois salários mínimos. 

Essa mudança começou a valer em maio de 2025, após a sanção da Lei n.º 15.191/25. Mas o debate não termina aí. Um novo projeto de lei, o PL 1.087/2025, propõe estender essa isenção do IR para rendas mensais de até R$ 5.000, o que deve representar a maior revisão da tabela do imposto nas últimas décadas. 

A expectativa é que a medida entre em vigor a partir de 2026, caso seja aprovada pelo Congresso até o fim de 2025.

Essa proposta faz parte da promessa do governo de ajustar a tabela do Imposto de Renda conforme a inflação e o aumento do salário mínimo. 

Na prática, a ideia é devolver poder de compra à população e reduzir o peso da carga tributária sobre quem ganha menos.

Atualmente, estima-se que cerca de 15,8 milhões de brasileiros estejam isentos do IR. Com a nova regra de R$ 5.000, esse número poderia ultrapassar 25 milhões de contribuintes.

A correção da tabela representa um avanço importante, já que desde 2015 o limite de isenção estava congelado em R$ 1.903,98. Com o tempo, a defasagem fez com que milhões de pessoas que ganham apenas o suficiente para cobrir o custo de vida passassem a pagar imposto.

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Quem está isento do Imposto de Renda?

Em 2025, estão isentos do IR todos os trabalhadores com renda mensal de até R$ 3.036, equivalente a dois salários mínimos. 

Essa isenção é automática e já vem aplicada na fonte, ou seja, quem se enquadra nessa faixa não precisa se preocupar em recolher o imposto. Além dessa regra geral, existem outras situações em que o contribuinte pode estar isento:

Aposentados e pensionistas com mais de 65 anos, que têm direito a uma parcela mensal isenta de R$ 1.903,98 sobre os rendimentos da aposentadoria.

Portadores de doenças graves, como câncer, cardiopatia, esclerose múltipla, entre outras, podem solicitar a isenção total do imposto sobre aposentadorias, pensões e reformas.

Trabalhadores que se enquadram no desconto simplificado, para quem recebe até R$ 2.824, o desconto de 25% aplicado na base de cálculo pode reduzir o rendimento tributável e enquadrar o contribuinte na faixa de isenção.

Essas regras seguem as orientações da Receita Federal e podem ser consultadas no site oficial do órgão. A ampliação da isenção do IR faz parte de uma estratégia mais ampla de justiça fiscal, buscando corrigir distorções históricas da tabela. 

Enquanto os rendimentos do trabalho são tributados na fonte, lucros e dividendos permanecem isentos há mais de 25 anos. A proposta do governo inclui equilibrar essa balança.

Como vai funcionar a isenção do IR até 5 mil?

O projeto que eleva a isenção do IR para R$ 5.000 mensais propõe uma mudança progressiva no modelo atual.  A ideia é criar faixas intermediárias com redução gradual da alíquota para quem ganha entre R$ 5.000 e R$ 7.350, garantindo que quem ultrapassar o limite máximo não pague o imposto de forma abrupta, mas proporcionalmente à sua renda. 

Esse formato segue o padrão de países da OCDE, onde a tributação é escalonada e voltada à proteção da renda média. 

Além da ampliação da faixa de isenção, o texto também inclui medidas de compensação fiscal para equilibrar as contas públicas, como a tributação de lucros e dividendos distribuídos por empresas, a revisão de deduções fiscais nas faixas mais altas e a criação de alíquotas adicionais para quem possui rendimentos anuais acima de R$ 600 mil. 

Caso o projeto seja aprovado até o fim de 2025, a nova tabela passará a valer já na declaração de 2026, referente ao ano-base de 2025. 

Na prática, isso significa que, a partir de janeiro de 2026, quem receber até R$ 5.000 por mês deixará de ter desconto de Imposto de Renda na folha de pagamento. 

Segundo o Ministério da Fazenda, o impacto fiscal da medida será compensado pela tributação sobre rendas de capital e pela modernização dos sistemas de arrecadação, que devem reduzir a evasão e aumentar a eficiência na cobrança de tributos.

Qual a faixa de isenção do IR 2025?

A tabela do Imposto de Renda 2025 foi atualizada em maio e já traz as novas faixas:

Faixa de renda mensal (R$) Alíquota Parcela a deduzir (R$)
Até 3.036,00
Isento
De 3.036,01 a 3.751,05
7,5%
227,70
De 3.751,06 a 4.664,68
15%
483,74
De 4.664,69 a 5.856,94
22,5%
876,97
Acima de 5.856,94
27,5%
1.233,82

A principal mudança foi o reajuste da faixa de isenção do IR para R$ 3.036, que atende à promessa de isentar quem ganha até dois salários mínimos. Essa alteração já está em vigor e é considerada o primeiro passo rumo à isenção de R$ 5.000.

Para quem recebe acima desse valor, as alíquotas progressivas continuam aplicadas conforme a renda. A Receita Federal calcula o imposto na fonte, e o contribuinte pode revisar eventuais diferenças ao declarar o IR no ano seguinte.

Como ficou a isenção do Imposto de Renda para 2026?

Para 2026, a expectativa é que entre em vigor a isenção do IR para rendas de até R$ 5.000, o que amplia o número de trabalhadores que deixarão de pagar imposto. 

O objetivo é ajustar a tabela do Imposto de Renda à realidade econômica atual e reduzir a defasagem acumulada nos últimos anos. 

Com essa mudança, o Brasil se aproximará do padrão adotado por países desenvolvidos, nos quais a faixa de isenção cobre entre 40% e 60% dos trabalhadores formais. 

Além de aliviar o bolso do contribuinte, a medida traz efeitos indiretos positivos, o aumento da isenção do IR tende a impulsionar o consumo, já que as famílias terão mais renda disponível para circular na economia. 

Esse movimento deve fortalecer o comércio, os serviços e, contribuir para o crescimento econômico. Por outro lado, o desafio do governo será manter o equilíbrio fiscal para compensar a queda na arrecadação. 

A equipe econômica estuda novas medidas, como a cobrança de uma alíquota de 15% sobre dividendos, a limitação de deduções de despesas médicas e educacionais nas faixas mais altas e o reforço no combate à sonegação, com a modernização digital da Receita Federal. 

Caso o Congresso aprove a proposta até o fim de 2025, a nova isenção do IR começará a valer para os rendimentos recebidos a partir de janeiro de 2026.

Por que a isenção do IR é importante?

A correção da tabela e a ampliação da isenção do IR corrigem uma distorção acumulada há mais de uma década. 

Entre 2015 e 2023, a defasagem da tabela ultrapassou 148%, segundo o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais. Na prática, isso significa que trabalhadores com rendas muito modestas acabaram tributados como se fossem de classe média. 

A atualização para R$ 5.000, ainda que gradual, representa um passo importante para realinhar o sistema à realidade econômica.

Além do impacto direto sobre o contribuinte, essa medida tem valor simbólico: ela mostra que o Estado reconhece a necessidade de aliviar o peso fiscal sobre quem sustenta a economia no dia a dia.

O que muda na declaração de 2026

Com a isenção do IR até R$ 5.000, a partir de 2026, boa parte dos trabalhadores deixará de precisar preencher a declaração anual, reduzindo o número de pessoas obrigadas a entregar o documento à Receita Federal.

No entanto, quem tiver rendimentos isentos ou não tributáveis acima de R$ 40 mil, ganhos de capital, aplicações em bolsa ou outras fontes de renda continuará obrigado a declarar.

Para quem permanecer na base de cálculo, a expectativa é que o sistema digital da Receita seja modernizado, com pré-preenchimento automático de deduções e cruzamento de dados em tempo real, reduzindo erros e retrabalho.

Conclusão

A isenção do IR está prestes a passar por uma das maiores mudanças dos últimos anos. Em 2025, o limite de R$ 3.036 já trouxe alívio imediato para milhões de trabalhadores.

A partir de 2026, com a possível ampliação para R$ 5.000, o alcance será ainda maior, promovendo justiça tributária e devolvendo renda à população.

A medida precisa de equilíbrio entre responsabilidade fiscal e compromisso social, mas representa um avanço concreto rumo a um sistema mais justo e transparente.

Acompanhar o andamento do projeto é essencial para entender como cada etapa pode afetar o seu bolso e o futuro da economia brasileira.

A nova isenção do IR é mais do que um número na tabela: é um passo real para aproximar o país de um modelo tributário mais equilibrado, no qual quem ganha menos paga menos e quem ganha mais contribui de forma proporcional.

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